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Sexta-feira, Maio 04, 2007
 
Ato Consumado na Ilha de Santa Catarina

O transgressor foi flagrado no quarto de motel com a vítima, depois de já ter pago o estabelecimento. O juíz entendeu como ato consumado, e o estupro foi liberado.

O laudo ambiental milionário que permitiu a construção da Usina de Barra Grande, no meio-oeste catarinense, foi uma fraude. Na área a ser inundada, uma das últimas reservas primárias de floresta de araucárias do Estado. Vegetação, que se supunha, absolutamente intocável. O ¿problema¿ só foi detectado depois da barragem ser construída. As árvores não deveriam estar lá. O juíz reconheceu a gravidade do fato, mas decretou ato consumado. Em 2005 foi autorizado o corte da floresta e o início do represamento das águas da usina. A empresa pagou uma multa. O crime, por larga margem, compensou. Na mídia, apenas notícias de quantos megawatts a mega-obra geraria.

Há tempos políticos e empresários rifam Florianópolis. Tratam a lei, a natureza e o povo como um bêbado trata um banheiro público em noite de carnaval. Na cidade foram levantadas obras monumentais, de países de primeiro-mundo, sob a impunidade de países de último. Ontem, 3 de maio de 2007, algo veio à tona na operação da Polícia Federal chamada ¿dinheiro verde¿. Finalmente.

Entender como ato consumado tais obras, porém, não justifica a manutenção destes empreendimentos sabidamente erguidos de forma criminosa em área de preservação ambiental. Seria consagrar monumentos à impunidade. Enquanto tais construções continuarem a gerar lucro aos criminosos, os bandidos continuarão agindo. Quem por dinheiro faz tudo, tem na perda deste sua maior pena. Lucro. Dano. Crime. Castigo?

O ato foi consumado, sem dúvida. Mas é, sim, reversível. A natureza se recupera, se dermos condições para isso. Como aquele brasileiro da fábula, que nunca desiste. Portanto, ao chão com estas construções irregulares. Como tão corajosamente o fazem as autoridades com casas de madeira de gente humilde nas dunas. Aquelas pessoas cinzas, que não vão a shoppings nem se hospedam em resorts.

Ao chão com um resort de luxo e com um centro de compras da classe média-alta e tais crimes serão inibidos por um bom tempo na ilha de Santa Catarina. Quiçá em todo o Estado. Tempo este talvez suficientes para que tomemos consciência de nossos direitos. Direito de não sermos feitos de palhaço por quem elegemos como representantes.

Enquanto não voltarem ao pó - de onde não deveriam ter saído - que tais obras criminosas não mais sejam usofruto dos bandidos e seus cúmplices ou descendentes. Que se tornem, imediatamente, centros de educação ambiental e de cidadania. Monumentos de justiça.
Lojas? Hotéis? Boicote do consumidor consciente.
Empregos? Não posso aceitar que empregos gerados por via criminosa se justifiquem. O tráfico de drogas emprega muita gente e sustenta muitas famílias.

Que nossa satisfação de hoje, por justiça feita, não se transforme na frustração de amanhã.

A palavra ¿impunidade¿ não me sai da cabeça. Crescemos e fomos indevidamente acostumados a ela. Aprendemos a aceitá-la como algo comum e corriqueiro, e por mais que se esfregue, fica marcada em nossa mente como nódoa de pinhão na roupa. Pinhão que não mais virá das araucárias da Barra Grande. E com ela impregnada, facilitamos a vida dos homens de má fé.

A palavra ¿impunidade¿ só não pode ser mais encardida que a palavra ¿esperança¿.

A Ilha de Santa Catarina era, até ontem, candidata à Reserva da Biosfera Urbana pela UNESCO.

Eu, rezo.

Alexandre Beck
ilhéu, não ilhado
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Segunda-feira, Abril 23, 2007
 
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Terça-feira, Março 27, 2007
 
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Quarta-feira, Fevereiro 07, 2007
 
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Quinta-feira, Janeiro 18, 2007
 
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Sexta-feira, Dezembro 29, 2006
 
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